Não nego que meu único medo é da morte. E não pelo que ela é, nem como ela será - lenta e gradual nas garras da tortura, um tiro silencioso e o som da queda de uma muralha, o afogamento de um ser que não foi livre para destruir tudo que sempre sonhou em construir, uma colisão de ideias aonde um colapso nervoso se faz e meu corpo não suportará? Enfim... é pelo fato de não saber meus próximos dias.
Odeio o fato de ser poeira cósmica coesa e orgânica, e tento todos os dias aceitar essa condição de reciclagem da natureza.
Procuro, obviamente, saber se estou indo bem na caminhada. E cada vez mais, acredito no erro que cometi... nos mil erros que fiz.
Faltou-me coragem para ser aquele monstro, porque ainda resta-me uma certa nobreza que me põe acima do senso comum... e confio nela na certeza do amanhã.
Perdi a noção de tempo. Estou a caminho de 1/4 de vida e tudo que fiz até agora representou muito para as pessoas que convivi nesses anos, mas para mim não passam de memórias que alimento para não perder o contato com a humanidade e regredir à selvageria.
É muito ruim ser deus de si. Por hora, acho felicidade em ser um imbecil como meus irmãos bípedes racionais (!?) que vivem sob a égide de uma figura que só fulgura o mal que eles são, protegendo seus mal-feitos e dando sentido a vida-bosta que eles tem.
Ah... não quero isso para mim. Morrerei no anonimato, mas morrerei certo de mim. Ah... essa vida de ser deus.